Sacando a rolha, ou melhor, a cortiça

Sacando a rolha, ou melhor, a cortiça

Hoje vamos falar sobre as rolhas, ou melhor, sobre o material usado para fazê-las: a cortiça.

Bem, para alguns, isso pode não ser uma novidade, mas sabia que a cortiça é feita a partir da casca de uma árvore? Pois é, trata-se da Quercus suber, nome científico do sobreiro, uma árvore da família do carvalho.

Natural da Península Ibérica, região do sudoeste europeu, o sobreiro apresenta algumas particularidades interessantes. É, por exemplo, a única árvore cuja casca se autorregenera, uma habilidade muito importante que evita a sua derrubada durante o processo de extração da cortiça.

A propósito, o sul da França e da Itália, a Espanha e, principalmente, Portugal, são os maiores produtores e extratores deste material na atualidade. Países que, coincidentemente, também são famosos por seus vinhos. Por isso, mesmo que as cortiças também sejam utilizadas na produção de outros produtos, como, por exemplo, materiais de isolamento térmico e acústico, artigos de decoração e peças de construção e alvenaria, são as rolhas que merecem destaque.

Para produzi-las, recomenda-se utilizar apenas o material obtido no terceiro descortiçamento em diante, conhecido como amadia. Isso acontece porque o primeiro e o segundo cortes, as chamadas cortiças virgem e secundeira, têm uma qualidade inferior e, por isso, são impróprios para garantir o isolamento adequado dos vinhos. Dessa forma, e mesmo não sendo obrigatórios, os cortes primários acabam sendo utilizados em outras produções.

Todo esse ritual gera um fato bastante curioso. Acontece que o sobreiro só fica pronto para a primeira extração quando atinge os 25 anos de idade e, a partir disso, serão precisos mais 9 anos entre cada extração. Por isso, as cortiças mais “jovens” a serem utilizadas na produção de rolhas têm, no mínimo, 43 anos.

Além dos usos práticos que nós citamos acima e da sua incrível habilidade de isolamento, a cortiça teve um importante papel histórico. Foi ela que originou a palavra célula! Isso aconteceu lá em 1665, quando Robert Hooke, um cientista inglês, comparou as células da cortiça que ele analisava em seu microscópio com os pequenos quartos onde os monges viviam, dando-as, assim, o nome de cellula que, em latim, significa quarto pequeno.

Agora, para finalizar, lembra que nós tínhamos dito que o sobreiro é uma árvore de particularidades interessantes? Então…

Além da cortiça, o sobreiro também dá a bolota, um fruto muito apreciado na Europa e que pode ser utilizado para diversas finalidades, mas isso é material para outra publicação.

Até lá, continue nos acompanhando. 😉

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