Por que os transgênicos ainda sofrem barreiras na Europa?

Por que os transgênicos ainda sofrem barreiras na Europa?

Em uma recente entrevista concedida à revista Scientific American Brasil e publicada em outubro, o fisiologista de plantas Stefan Jansson, doutor em biologia celular e pós-doutor em bioquímica, falou sobre a legislação europeia em relação aos Organismos Geneticamente Modificados (OGM), os entraves que essa tecnologia enfrenta e a produção agrícola desses países.

Segundo Stefan, que também é uma das maiores autoridades europeias em fotossíntese e genética de árvores, o problema da legislação do velho continente é conceitual. Quando foi criada, entre as décadas de 80 e 90, a transgenia ainda era uma técnica nova. Na época, haviam rigorosas regulamentações e uma enorme preocupação para evitar eventuais riscos da, então, recente tecnologia. O que acontece hoje, quase 30 anos depois da adoção dessa técnica, é que nenhum risco foi confirmado e houve um tremendo desenvolvimento da ciência. Em outras palavras, a legislação vigente está desatualizada com a realidade.

Para as áreas de pesquisa e desenvolvimento isso se traduz num grande desperdício de recursos. Com a restrição à utilização desse tipo de técnicas na Europa, o investimento de empresas e governos acaba se perdendo, uma vez que ninguém vai querer colocar dinheiro em algo sem uso, e com isso o desenvolvimento dessas técnicas e a inovação do setor ficam seriamente comprometidos.

Além disso, quando essas técnicas estiverem sendo utilizadas em larga escala em todo o restante do mundo, a Europa enfrentará sérios problemas porque não será capaz de identificar o que é do que não é geneticamente modificado, gerando perda de mercado.

Em seguida, quando confrontado com o argumento: “Se os transgênicos são tão bons, por que a Europa não os aceita?”, o professor foi enfático:

[…] A UE é, na sua essência, uma associação comercial criada para que a indústria e a agricultura europeias fossem mais competitivas. Por exemplo, na América do Sul, vocês brasileiros, argentinos e paraguaios conseguem produzir soja e milho a um preço muito mais competitivo que qualquer país europeu. Dessa maneira, para proteger a agricultura europeia dessa competição, foram criadas barreiras comerciais.

Isso é confirmado, por exemplo, pelo fato de importarmos milhões de toneladas de grãos transgênicos todos os anos, inclusive do Brasil, para alimentar nossos rebanhos.”

E ainda completa:

Há poucas coisas na ciência que foram tão testadas quanto os transgênicos. Eu diria, inclusive, que eles foram testados até demais. Está absolutamente claro que os transgênicos que estão no mercado são tão seguros quanto suas versões não geneticamente modificadas.”

Agora, a luta do pesquisador é para viabilizar o uso do CRISPR-Cas9, uma nova ferramenta de edição genética, e enquanto isso, acompanhamos os próximos passos da legislação sobre o tema que certamente precisará de mudanças no futuro.

Fonte: https://bit.ly/2Dyjebv

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