O plantio de orgânicos e convencionais

O plantio de orgânicos e convencionais

Muitos acreditam que as agriculturas convencionais e orgânicas competem por um mesmo mercado e, necessariamente, uma é contrária à outra. Mas diferentemente do que circula por aí, essas duas formas de produção devem cumprir seus papéis para a produção sustentável de alimentos, de modo a atender uma demanda crescente, já que a população mundial aumenta diariamente.

Mas antes de aprofundar nosso tema, vale fazer um parêntese para falar um pouco sobre o que seria a produção sustentável de alimentos. Trata-se da agricultura que, além de cuidar das pessoas envolvidas, faz uso das boas práticas agrícolas e respeita o meio ambiente. Ou seja, produzir alimentos fazendo uso do menor volume de recursos (água, terra e demais insumos) possível, garantindo produtividade com a segurança do trabalhador, para que os agricultores e pessoas que trabalham no campo possam ter uma vida digna.

Agora, voltando para o tema central da nossa discussão: principais semelhanças e diferenças na produção de alimentos orgânicos e convencionais. É comum a todos os sistemas de produção agrícola o desafio de preservar o potencial produtivo das plantas e, para isso, o controle das pragas, plantas daninhas e doenças, que competem com as plantas cultivadas, é uma realidade. E o que faz com que um alimento seja considerado orgânico ou convencional é a natureza dos produtos usados com foco no controle de pragas e na fertilização do solo.

Em um cultivo convencional, além de poder fazer uso (e é recomendado que se faça) de técnicas como rotação de culturas, manejo integrado de pragas (MIP), dentre outras boas práticas agrícolas, utilizam-se defensivos e fertilizantes químicos ou sintéticos, isto é, que são produzidos artificialmente, para apoiar a produção agrícola. As aplicações de defensivos, também chamados de agrotóxicos, ocorrem quando as técnicas de manejo não-químicas não são capazes de controlar infestações que ameaçam a produtividade do plantio.

Não muito distante das medidas adotadas no sistema de produção convencional, o sistema de produção orgânico faz o manejo da terra e controla pragas por meio da aplicação de produtos de natureza orgânica ou biológica, como adubo orgânico, sulfato de alumínio, enxofre e calda bordalesa – que podem ser químicos também, mas não sintéticos. As plantações orgânicas também usam defensivos, a diferença é que ao invés de serem produzidos artificialmente, eles são encontrados na natureza. Isso não significa que um tratamento é melhor que o outro, e nem que seja mais seguro que o outro.

Além disso, segundo entrevista concedida por Luis Madi, diretor-geral do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), ao jornal Zero Hora, não há evidências científicas suficientes para afirmar que os alimentos orgânicos são superiores aos convencionais. O Diretor ainda complementa: “Crenças dos consumidores, como presença maior de nutrientes e vitaminas e melhor sabor, não foram comprovadas em recente estudo comparativo de propriedades de alimentos com origem de distintas formas de produção agrícola. A diferença é que um sistema usa químicos e outro compostos orgânicos.”

Lembrando que agricultura orgânica também não é sinônimo de agricultura mais sustentável, em determinados casos, essa modalidade de cultura pode ser consideravelmente menos eficiente e rentável que os sistemas convencionais. De acordo com o que diz o Professor Seufert (Instituto de Estudos Ambientais da Universidade de Amsterdã), em um artigo de Sarah Murray, para o jormal, de língua inglesa, Financial Times, o desempenho do produtor orgânico é bastante variado e o menor uso de determinados fertilizantes não representa um melhor uso desses insumos.

O artigo ainda pontua comparações entre o desempenho da produção agrícola orgânica com a convencional evidenciando que o sistema de produção de orgânicos pode produzir de 19 a 25% menos produtos.

Um outro grande questionamento, quando a temática tratada é “Orgânico vs. Convencionais”, gira em torno dos resíduos encontrados nos alimentos. O que muitas vezes fica fora desse debate é que todo alimento pode ter algum tipo de resíduo, seja orgânico (como bactérias e vírus) ou químico – a depender do processo produtivo da lavoura. Alertar que há resíduos na superfície dos alimentos não é o mesmo que dizer que os alimentos são ruins ou estão contaminados. Falta esclarecimento da população em geral acerca dos estudos e das pesquisas feitas com relação aos produtos químicos: eles são exaustivamente testados e, após um rigoroso processo, aprovados para uso no campo, considerando limites máximos de resíduos aceitáveis, atingidos quando orientações contidas em bula são seguidas. Se quiser saber mais sobre esse processo, assista a um dos nossos vídeos da série Mitos e Verdades ou a toda a nossa playlist de como os agrotóxicos são regulamentados.

Agora que você já conhece melhor esses dois tipos de cultivo, como está sua percepção em relação aos orgânicos e convencionais? Se quiser saber mais sobre, escreva para a gente!

Fontes:

Sindiveg

Gaucha ZH

Agrolink

Andef

Zero Hora

Financial Times

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