Mulheres: um retrato da liderança no agro

Mulheres: um retrato da liderança no agro

Mulheres que gerem os próprios negócios são cada vez mais comuns, o que poucos sabem é que essa mudança no mercado também tem espaço no cenário agro. Seja por meio do empreendedorismo ou da gestão de terras familiares, as mulheres contribuem significativamente para a agricultura.

Para retratar a mulher no agronegócio, na Semana da Mulher, conversamos com Luciani Zamboni, agricultora que tem a Syngenta como parceira na hora de cuidar de sua lavoura.

Luciani se divide entre a capital paulista e a cidade de Rondonópolis no Mato Grosso. A fazenda administrada pela agricultora é situada no município de Tiquira (MT) e detém uma área de 1.500 hectares de soja e 800 de milho.

Quando questionada acerca da maneira como foi parar no negócio, Luciani
responde:

“Tornei-me produtora há 10 anos. Meu pai, porém, foi agricultor durante toda a sua vida e, após o seu falecimento, eu, que nunca havia sequer me interessado pelo negócio, passei a tocá-lo com minhas irmãs e irmão, dois deles agrônomos – e assim fizemos por seis anos. Mas devo admitir que, à época, era um sofrimento. Não era o que eu queria fazer da vida! Formei-me em Psicologia, tinha um consultório em São Paulo e era o que me fazia feliz. Mas entendi, nesse tempo, que poderia tomar gosto pelo agro se pudesse conduzir a fazenda do meu jeito. Assim, dividi com meus irmãos a área que administrávamos e cada uma ficou com a sua.

No agronegócio, há diversos tipos de perfil e o meu e o deles eram incompatíveis. Tem quem seja mais agressivo, invista mais, corra mais riscos, e eu sou mais conservadora. Assim, passei a plantar soja na safra e milho na safrinha, do jeito que
imaginei que deveria ser.”

Zamboni, relata também como encontrou seu lugar na gestão da fazenda e entendeu melhor como poderia administrar seus interesses:

“Quando me deparei com a fazenda, entendi que não era exatamente agricultora, e
assumi para mim mesma que era uma psicóloga que plantava! Isso me deu novas perspectivas. E uma das primeiras coisas que tive em mente foi que, mesmo ainda
sem conhecimento, se o negócio fosse dar errado, não seria nas mãos de outra
pessoa e sim na minha!

Felizmente, eu tinha o DNA da agricultura. Para me inteirar do negócio, falei com toda a equipe, amigos, família. Fui atrás do que era necessário. Entendi que precisava de uma determinada quantidade de equipamentos, produtos e, ainda que nos primeiros quatro anos tenha trocado muito de gerentes, aos poucos fui descobrindo a agricultora que havia em mim.”

Quanto a participação feminina, Luciani, divide informações preciosas sobre uma grande rede de apoio entre mulheres:

“A região em que atuo tem uma peculiaridade: muitas mulheres administrando fazendas. E nelas encontrei uma verdadeira rede de apoio. Havia muitos boatos de que eu entregaria o negócio para outra pessoa administrar, mas naquele momento ganhei força e tornou-se questão de honra fazer a propriedade ‘dar certo’. Descobri ali também meu estilo de gestão, que era ter uma pessoa de confiança em cada ponto da cadeia. E acontece que, desta forma, tenho a fazenda na mão.”

Sobre suas perspectivas a respeito do futuro da plantação e da forma de
conduzir os negócios, Luciani esclarece:

“Para o futuro, não me vejo fazendo tudo exatamente da mesma forma. E um gargalo que noto, e que daqui a para frente sei que vai ter que mudar, é o preparo dos colaboradores. O nível de capacitação vai ter que acompanhar a constante entrada de novas tecnologias nas lavouras. Inteligência artificial, monitoramento, nada disso vai funcionar sozinho. O mundo mudou e o ser humano segue sendo o mesmo – e este é um ponto no qual gosto de trabalhar no meu dia a dia, mas também o grande desafio para o amanhã.”

Veja também a nossa conversa com a Camila Camata, que trabalha na parte de segurança do produto da Syngenta, em São Paulo, e da Lorenna Meireles, que é representante Técnica de Vendas, e traz ótimos insights sobre a posição da mulher no mundo agro.

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