Depósito Global de Sementes

Depósito Global de Sementes

A cidade de Longyearbyen, situada na ilha de Spitsbergen, que compõe o arquipélago de Svalbard e pertence à Noruega é um lugar muito curioso. Quer saber por quê?

Primeiro, porque ela é a cidade mais ao norte do planeta, bem pertinho do polo norte. E segundo, porque é lá que fica o último bastião da alimentação mundial: o depósito global de sementes!

Fundado em 2008, fruto de uma parceria do governo norueguês com a Organização das Nações Unidas (ONU), o Global Seed Vault (na sigla em inglês) já abriga quase que 1 milhão de variedades de sementes, vindas de mais de 100 países. A ideia, com isso é preservar o maior número de cultivares para que em casos de desastres naturais, guerras, mudanças climáticas, ou até queda de asteroides possamos garantir a sobrevivência de certas espécies.

Apesar de estranha, a ideia deste “banco de sementes” não é uma novidade. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) existem mais de 1.750 reservatórios desse tipo espalhados pelo mundo. No Brasil, caso você esteja se perguntando, o reservatório fica em Brasília e foi criado pela Embrapa.
O banco norueguês, no entanto, se destaca por ser uma espécie de seguro para os outros países. Se houver algum problema com o armazenamento de sementes de um país, por exemplo, o depósito global de sementes pode repor o que foi perdido, assim como ocorreu com a Síria, em 2015, quando teve o seu banco de sementes afetado pela Guerra Civil.

E não é só a conservação do passado que está em jogo com esses depósitos de sementes. O futuro, por meio da biotecnologia, também pode se beneficiar dessa conservação. Imagine, por exemplo, que o cruzamento entre espécies e o melhoramento genético podem gerar cultivares mais resistentes e nutritivos com base em qualidades específicas de variedades não comerciais. Ou ainda que, estudando o genoma e a ancestralidade de algumas culturas, possamos descobrir propriedades perdidas durante o processo de “domesticação” desses alimentos. Há, de fato, muito o que se aprender com a história.

Por fim, outro ponto que chama atenção são suas instalações: um depósito a 130 metros de profundidade e que opera a -18 graus. Tudo isso, dentro de uma velha mina abandonada. Com essas condições tão particulares, a sobrevivência de diversas variedades sobe expressivamente. Como o trigo, por exemplo, que pode resistir mil anos nessas condições.

É bom saber que a nossa variedade de alimentos está garantida, não é mesmo? 🙂

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