Cultive com segurança: Boas práticas agrícolas garantem o abastecimento seguro e sustentável dos alimentos

Cultive com segurança: Boas práticas agrícolas garantem o abastecimento seguro e sustentável dos alimentos

Por Erik Fyrwald

No dia 7 de junho é celebrado o Dia Mundial da Segurança dos Alimentos. Essa data é importante por um motivo muito simples: todos os anos, aproximadamente 600 milhões de pessoas em todo o mundo são acometidas por doenças de origem alimentar, enquanto 3 milhões morrem devido a doenças contraídas por água ou comida contaminada. Esse assustador índice de mortalidade atinge todas as regiões do mundo, embora os piores impactos ocorram em regiões como África Subsaariana e Sul da Ásia, onde há menos acesso à refrigeração e a outras tecnologias modernas de conservação de alimentos. Embora se tenha conseguido grandes melhorias em algumas regiões desde a década de 1980, o alcance e a urgência do problema persistem.

Os perigos no abastecimento de alimentos podem ocorrer em qualquer estágio do processo, do cultivo ao prato. Muitos deles estão relacionados com a preparação dos alimentos, por isso, os cozinheiros devem tomar todas as precauções possíveis para manter a cozinha limpa e segura. Mas para garantir a segurança dos alimentos, alguns cuidados devem ser tomados no início do processo, começando nas propriedades agrícolas onde os alimentos são produzidos. Um abastecimento seguro de alimentos, com boas práticas agrícolas, inclui a proteção dos cultivos contra a contaminação por microrganismos patogênicos e possíveis toxinas.

Os agrônomos têm um grande papel a desempenhar

Nas últimas décadas, graças ao sucesso das pesquisas e do desenvolvimento da agronomia, uma ampla variedade de produtos de proteção de cultivos proporcionou aos produtores um conjunto de ferramentas cuidadosamente adaptadas para a produção de cultivos seguros e saudáveis. Por exemplo, o Fusarium é um fungo comum que pode produzir microtoxinas mortais no trigo, milho e cevada. Fungicidas de amplo espectro recém-desenvolvidos estão sendo usados agora para prevenir a disseminação do fungo nesses cultivos. Esses agentes têm um papel ativo na proteção da saúde dos consumidores e evitam o desperdício de se ter de destruir os grãos contaminados.

No passado, os pesticidas, herbicidas e fungicidas foram algumas vezes vistos como ameaças à segurança da água e dos alimentos. Mas a inovação aplicada aos produtos de proteção de cultivos percorreu um longo caminho, desde que Rachel Carson apontou para o risco que eles representavam em seu livro percursor Silent Spring (A Primavera Silenciosa), em 1962. Os agentes de proteção de cultivo atuais são desenvolvidos levando em consideração a saúde humana e o meio ambiente. Ao longo dos últimos 60 anos, esses agentes se tornaram mais específicos e eficientes, e são aplicados muito mais comedidamente. Desde a década de 1950, o setor agrônomo atingiu uma notável redução de 95% na taxa média de aplicação de ingredientes ativos por hectare. Paralelamente a isso, várias inovações fizeram com que o rendimento dos cultivos agrícolas mais que triplicasse. Essas medidas para tornar a alimentação de todos mais segura foram reforçadas com o Codex Alimentarius, o sistema aberto transparente de normas internacionais estabelecido em 1963 para proteger a saúde do consumidor e promover a prática justa no comércio de alimentos.

Um profundo respeito pela saúde e o meio ambiente

Na verdade, atualmente vários produtos de proteção de cultivo são obtidos de fontes naturais ou resistiram de forma tão íntegra ao teste do tempo que são considerados práticas tradicionais. Isso significa que são normalmente encontrados em uso nas propriedades agrícolas especializadas no cultivo de produtos orgânicos. Orgânicos ou não, produtores de todo o mundo dependem de vários ingredientes ativos para tornar suas propriedades mais produtivas e seus cultivos mais seguros para o consumo.

Aqueles que trabalham no campo da ciência agronômica sabem bem que esses avanços nem sempre são aceitos por pessoas que não desejam que inseticidas e fungicidas sejam parte do sistema global de alimentação. De certo modo, concordo com essas pessoas. Mas testemunhei em primeira mão a destruição causada por pragas e o impacto da perda de cultivos para produtores e suas famílias. A devastação infligida por gafanhotos neste ano na África e na Ásia é apenas um exemplo disso.

O enfrentamento do desafio da mudança climática

A necessidade de produtos de proteção de cultivo eficientes cresceu continuamente à medida que o aumento da temperatura global expandiu o alcance de muitas pestes e pragas. No último verão europeu na Holanda, um produtor me contou que viu um inseto que nunca tinha visto antes em seus campos. Nossa equipe pesquisou e descobriu que a praga era muito conhecida no Brasil… e que estava se tornando um problema nos climas nórdicos como consequência de invernos mais quentes. Um dos nossos objetivos no nível setorial é fornecer aos produtores os melhores e mais seguros meios de controlar ameaças como essas.

Quando encarados em escala macroscópica, os avanços na agronomia representam claramente uma importante parte da solução para a mudança climática. Os produtos de proteção de cultivo mais recentes fazem face à mudança climática diretamente, permitindo aos agricultores produzir mais alimentos por unidade de terra do que nunca na história da agricultura. Isso é fundamental se esperamos dar um basta à expansão da atividade humana em regiões como a floresta tropical amazônica, um precioso recurso natural que atende a um propósito comum muito maior, como absorção de carbono e preservação da biodiversidade do que como um campo de cultivo.

Garantir a segurança dos alimentos que consumimos é um dos muitos objetivos sociais e ambientais que nós, da Syngenta, – e de nossas futuras empresas irmãs ADAMA e Sinochem Agriculture – estamos trabalhando para alcançar. Tenho muito orgulho do nosso pessoal por criar soluções de proteção de cultivos que ajudam a alimentar a humanidade de forma segura, sem perder de vista a proteção do meio ambiente. Houve progresso, mas todos deveríamos dedicar um momento neste Dia Mundial da Segurança dos Alimentos para reforçar a nossa determinação. Mesmo diante de uma pandemia global e uma imensidão de outros desafios, devemos continuar avançando em  nossos esforços para proteger as pessoas e o planeta.

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