Bolota

Bolota

Há algum tempo, fizemos um texto, em nosso blog, para falar do sobreiro. Em resumo, apresentamos a árvore, que é uma das parentes do carvalho, e falamos de seu principal uso, que é a fabricação de rolhas, feitas a partir da sua casca. Para encerrar, ainda citamos, de maneira superficial, a bolota, que é o fruto dado pelas árvores dessa família.

Aproveitando que retomamos esse assunto, resolvemos falar justamente desse fruto. Então, após essa belíssima introdução, vamos a ele…

A bolota é um fruto comum das árvores do gênero Quercus, como o carvalho, o sobreiro (Quercussuber) e a azinheira (Quercusilexrotundifolia), por exemplo. Fisicamente, trata-se de uma castanha envolvida por uma fina camada de fruto, resultando em um formato bem característico (vide imagem do topo).

Por muito tempo, esse fruto serviu de alimentação para povos da Península Ibérica, principalmente para os portugueses da região do Alentejo (no sul de Portugal) e para os espanhóis da região de Estremadura que, durante o inverno, aproveitavam-se da bolota para suprir a falta de alimentos. No entanto, seria injustiça dizer que a bolota só servia como um “quebra-galho” alimentício. Podendo ser consumida in natura, assada, ou utilizada no preparo de pães e sopas, a bolota, além de ser um alimento rico em carboidratos e nutrientes, também age como anti-inflamatório e analgésico natural.

Hoje em dia, o uso de bolotas na culinária, infelizmente, é baixíssimo. Sua produção é voltada principalmente para a alimentação de porcos e outros animais. Destacamos, no entanto, que a alimentação do porco preto ibérico –cuja carne é matéria-prima do famoso presunto de bolota ou pata negra – é à base desse fruto.

Mas mesmo que o consumo não seja lá aquelas coisas, a bolota sempre terá o seu lugarzinho na história literária. Isso se deve, em grande parte, a Miguel de Cervantes Saavedra, escritor do clássico O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha. Nele, Sancho Pança, escudeiro e amigo do cavaleiro lunático, cita, inúmeras vezes, o fruto e chega até a oferecê-lo a uma das personagens durante a aventura.

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