Agricultura Tropical: a revolução de Alysson Paolinelli

Agricultura Tropical: a revolução de Alysson Paolinelli

Pode soar estranho hoje em dia, mas até o início dos anos 1970, o Brasil não se qualificava como potência agrícola mundial. Aliás, pelo contrário, boa parte dos itens que constituíam a base alimentar da população interna precisava ser importada. Foi nesta época que Alysson Paolinelli assumiu o Ministério da Agricultura, após passagem pela Secretaria de Agricultura do Estado de Minas Gerais, e começou a redesenhar o futuro da agricultura nacional com suas ideias e projetos, estabelecendo as bases para o que viria a ser conhecido posteriormente como agricultura tropical.

Indicado ao Prêmio Nobel da Paz 2021 pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), o agrônomo, nascido em Bambuí (MG), foi responsável por promover a ocupação econômica do Cerrado aliando produção agrícola com proteção ambiental em uma época na qual pouco se considerava o assunto em projetos de desenvolvimento.

A base da revolução de Paolinelli foi estabelecida sobre conhecimento científico. Responsável pela modernização da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o então ministro incentivou o desenvolvimento de pesquisas e iniciativas para a produção de alimentos respeitando as características do bioma Cerrado – até então visto como degradado e pouco fértil. Atualmente, a região Centro-Oeste tem participação fundamental na produção agropecuária do país.

Os caminhos estruturados por Paolinelli permitiram que a agricultura tropical se tornasse mundialmente competitiva. Na segunda metade dos anos 1980, o Brasil atingiu um estágio de produção autossuficiente e, a partir desse ponto, cresceu no cenário exportador tornando-se um fiel da balança da agricultura mundial.

As contribuições de Paolinelli para o desenvolvimento de uma agricultura alinhada a diretrizes de sustentabilidade foram elogiadas pelo ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1970 Norman Borlaug – agrônomo norte-americano conhecido como líder da Revolução Verde. Em entrevista dada ao jornal Folha de S. Paulo em 1994, Borlaug declarou:
“O Cerrado brasileiro está sendo palco da segunda ‘Revolução Verde’ da humanidade. Os pesquisadores brasileiros desenvolveram técnicas que há 20 anos tornaram uma área improdutiva na maior reserva de alimentos do mundo. Quero levar essas técnicas para a África.”

A transformação provocada pelo agrônomo brasileiro contribuiu para a criação de um círculo virtuoso na agricultura internacional. O capital tecnológico desenvolvido beneficiou países de todo o mundo estimulando o aperfeiçoamento de técnicas específicas para a produção de alimentos.

As iniciativas de Paolinelli contribuíram também para outros aspectos agricultura mundial, principalmente:

  • Segurança alimentar – A modernização do sistema agrícola na região tropical tornou a qualidade e o preço de seus produtos agropecuários mais competitivos e contribuiu para atender demandas por alimentos em países de renda baixa e média;
  • Sustentabilidade – A tecnologia agrícola permitiu maximizar a produtividade no bioma Cerrado mantendo 54% de sua área com cobertura vegetal natural, permanecendo 35% sob proteção legal que veda sua exploração econômica;
  • Desenvolvimento humano – A agricultura tropical gerou novos empregos e aumentou a renda em regiões antes pouco desenvolvidas economicamente. O resultado foi a melhora significativa do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) dessas áreas do país;
  • Energia limpa – Em 1975, o agrônomo também participou ativamente da criação do Proálcool, primeiro programa para produção de combustível a partir da utilização de biomassa no mundo.

A Rede Paolinelli Nobel da Paz 2021 reúne instituições do mundo acadêmico e do agronegócio no apoio à indicação do ex-ministro à premiação. A Syngenta participa desta rede pela relevância do trabalho realizado por Paolinelli para o desenvolvimento sustentável agropecuário brasileiro e por seus reflexos no progresso social do país.

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