A importância da ciência para o avanço da agricultura

A importância da ciência para o avanço da agricultura

Melhoramento de plantas, aumento da produtividade agrícola, espécies mais adaptadas às condições de clima e solo… Tudo isso de forma sustentável. Hoje é o Dia da Biotecnologia, e, para homenagear a data, conversamos com Thais Figueira, Gerente de Ecologia da Syngenta, já foi personagem da nossa série Mitos e Verdades, falando sobre alimentos transgênicos. Agora, ela está de volta! Só que, dessa vez, para mostrar como o conhecimento crescente em biotecnologia possibilita grandes feitos na agricultura e no desenvolvimento de sementes. Leia a entrevista a seguir e entenda o que a bióloga, doutora em genética tem a dizer:

A relação entre ciência e agricultura existe desde o início da atividade?

Thais Figueira: Sim. Comunidades tribais já incorporavam ciência aos cultivos, o que podia variar desde a busca pelo melhor lugar para plantio, com quantidade de luz ideal para o desenvolvimento da planta até formas de melhoramento genético, como salvar parte das sementes das plantas mais vigorosas para plantar na estação seguinte. Foi o desenvolvimento dessa ciência agrícola, que possibilitou a humanidade se estabelecer em áreas de forma permanente, podendo cultivar seu próprio alimento. Pois enquanto dependia da caça e pesca, as pessoas tinham que se mudar frequentemente atrás dessa disponibilidade.

E como a simples prática de salvar sementes de plantas vigorosas evoluiu para uma manipulação genética mais próxima do que temos hoje em dia?      

Thais Figueira: Como uma evolução natural dessa seleção de sementes e a partir da observação do que acontecia na natureza, as comunidades tribais começaram a aprender a cruzar plantas que serviam melhor seus interesses entre elas, dando origem às variedades permanentes melhoradas, ou seja, se uma planta de milho era mais alta e forte e a outra produzia mais espigas, podiam-se combinar essas características e ter uma nova planta, mais forte e mais produtiva.

A população em geral entende essa jornada científica percorrida pela agricultura ao longo dos milênios, bem como sua importância? Acredita que isso pode ser melhor divulgado?  

Thais Figueira: Existem vários esforços para que o conhecimento sobre a ciência empregada na agricultura chegue ao público, mas ainda não estamos onde gostaríamos nesse quesito. É importante que a mensagem transmitida seja clara, informativa, mas também acolhedora. É natural que as pessoas tenham dúvidas ou inseguranças sobre o uso de tecnologias às quais não estão familiarizadas, não só na agricultura e a nós, como cientistas cabe ter uma visão que permita endereçar essas preocupações, demonstrando à sociedade que os produtos que desenvolvemos são seguros e de qualidade. Um trabalho importante neste sentido é desenvolvido no Brasil pelo CIB – Conselho de Informações sobre Biotecnologia, que produz, junto a renomados cientistas, materiais, artigos e apresentações, e disponibiliza essa informação publicamente para quem tiver interesse, e de forma acessível.

Qual é o foco atual de desenvolvimento científico na biotecnologia de sementes?

Thais Figueira: Encontrar soluções para problemas como, por exemplo, como desenvolver culturas resistentes às pragas de alto impacto em determinada região? Temos hoje a habilidade de compreender exatamente que tipo de modificação genética trará o resultado esperado, assim como avaliar seu impacto no organismo-alvo, nos organismos não alvo ao seu redor e em quem consome a planta como alimento. Com todo esse conhecimento à disposição, o desafio é que os produtos da biotecnologia tenham maior vida útil possível, ou seja, para que seu manejo seja adequado e as pragas-alvo não se tornem resistentes. Para isso, são fundamentais ações de acompanhamento, plantio adequado de refúgios e o entendimento da tecnologia.

E para o futuro do desenvolvimento de sementes, o que podemos esperar em termos científicos / tecnológicos?

Thais Figueira: A grande tendência com excelentes resultados em pesquisa até agora, é o uso da edição gênica. Diferente da transgenia, em que genes de uma espécie são transferidos a outra para conferir determinadas características, o que acarreta mais complexidade às novas tecnologias permitem modificações pontuais, diretamente no genoma da planta de interesse para alterar um aspecto específico. Além da complexidade, diminuímos assim o processo de aprovação pelos órgãos regulatórios, bem como os custos associados ao desenvolvimento. Poderemos levar novos produtos ao mercado em menos tempo, atendendo às necessidades ainda mais específicas de diferentes grupos.

Para a Syngenta, qual é atualmente a importância da ciência para a evolução do negócio de sementes?         

Thais Figueira: A ciência é imprescindível para caminhar rumo aos objetivos da companhia. O mercado hoje é extremamente competitivo e exigente, e os produtos que não demonstram excelência em suas características perdem espaço. Portanto, todos os esforços empreendidos globalmente e na região são direcionados a desenvolver produtos de extrema qualidade, mais seguros, mais eficazes e mais adequados para sanar problemas reais no campo. O peso do componente científico nessa caminhada de aprimoramento para atender às demandas crescentes é enorme.

 

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