A Força do Agro que vem do Feminino

A Força do Agro que vem do Feminino

A diversidade de perfis das mulheres do campo abrange uma série de identidades e ocupações: agricultoras, gestoras, extrativistas. Antes vistas como auxiliares ou apenas companheiras do agricultor, as mulheres rurais assumem cada vez mais protagonismo em todos os estágios da cadeia produtiva na lavoura e outras atividades que geram renda e desenvolvimento econômico e social no campo.

Quase a metade de toda a população rural brasileira é feminina, 47,5%, segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE realizado em 2017. Um número que ultrapassa 15 milhões de pessoas. E quase 20% dos empreendimentos rurais do País são comandados por mulheres. No levantamento realizado em 2006, o percentual de mulheres rurais em posições de liderança era de 12%.

Vamos conhecer o perfil de três mulheres, clientes da Syngenta, que representam três exemplos de liderança rural.

Caroline Schneider – a advogada que desistiu dos tribunais para levar adiante uma vocação de família

Aos 32 anos, esposa do Rodrigo, mãe de Raquel (sete anos) e Thomas (quatro anos), a advogada desistiu da prática jurídica para aderir à gestão do negócio da família, uma empresa familiar que que teve início em Chapadão do Céu (GO) no início dos anos 80. Parte da terceira geração de agricultores, Caroline teve atuação determinante na profissionalização do negócio, expandindo a atuação para o Estado do Tocantins, onde vive desde 2012. Atualmente o grupo produz soja, milho, sorgo. O grupo também tem confinamento, armazenagem de grãos e transportadora. “Trabalhar no agro está na minha essência. Foi uma reconexão com quem eu sou”, afirma Caroline. “Também não posso deixar de reconhecer o quanto meus pais me encorajaram ao me trazerem para o agronegócio. Acredito que cada pai que confia e estimula sua filha a assumir posições de liderança, acaba multiplicando esse exemplo para muitas outras famílias”.

Patrícia Dalto – de administradora à gestora de propriedade rural.

Nascida no Paraná, Patrícia acompanhou os pais pela peregrinação na abertura de caminhos do agro: desde o início no Paraná, depois indo a Goiás e fixando-se no Piauí, além de expandir os negócios para uma área do Oeste baiano. Em relação à sua formação, ela também percorreu diversos caminhos tendo se formado em Administração e Gastronomia antes de assumir uma posição estratégica no negócio da família. Ela hoje está à frente do RH e atua também nas demandas regulatórias da propriedade para garantir que toda a produção de grãos e a condução da fazenda no dia a dia estejam dentro das obrigações fiscais e legais. Decidida, ela diz não perceber preconceito pelo fato de ser mulher ao lidar com outros produtores rurais em encontros de articulação e negócios. Além disso, aponta o networking na Academia de Líderes Sucessores (apoiada pela Syngenta) como fundamental para o aprendizado e solução de problemas com a troca de experiências com outros sucessores que já levam adiante a produção rural das famílias. “Meu maior orgulho é ser reconhecida pela minha capacidade de gestão e não por ser a filha dos donos do negócio”.

Joice Appelt – construindo a superação da cultura machista no agronegócio 

“Sempre que me escapa alguma fala machista tento refletir em como virar essa chave”, diz Joice Appelt, mineira e produtora de grãos, criada em uma família de origem gaúcha predominantemente masculina. Após estudar Educação Física e Administração Hoteleira, Joice ingressou no negócio da família e relata que foi difícil ganhar respeito dentro do agronegócio. Determinada, buscou cursos e formações para se especializar e aumentar a produtividade da plantação da família, e mirou longe em um sonho que a inspirava: ser a primeira mulher a produzir grãos na Etiópia. Após muita pesquisa descobriu, segundo ela, condições ideais para a empreitada: terras capazes de serem fertilizadas, população para ser capacitada a trabalhar na lavoura e portos para escoamento da produção, tornando o mercado muito atrativo. E após uma longa negociação com o pai, que buscou fazer ela ponderar sobre investir nesse sonho, viajou para Etiópia. Lá, Joice vivenciou sete dias bastante difíceis, pois acabou esbarrando em questões políticas e socioculturais que terminaram por impedir as negociações, o que inviabilizou o negócio. Ainda assim, Joice considera a aventura um dos grandes momentos de sua carreira e um momento de resiliência que realimenta sua fé e vontade de prosperar. “Considero que estou em construção e disposta a novos desafios”, afirma.

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