7 perguntas sobre Pesquisa e Desenvolvimento de frutas, legumes e verduras

7 perguntas sobre Pesquisa e Desenvolvimento de frutas, legumes e verduras

Nunca se viu tantos tipos diferentes de frutas, legumes e verduras nos supermercados, quitandas e feiras livres brasileiros. Para se ter uma ideia, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) fez um levantamento e, levando-se em consideração apenas as frutas, em 2017, foram comercializadas mais de setenta variedades.

Mas como chegamos a esse número? Por que vemos cada vez mais tipos de verduras, legumes e frutas nos supermercados, quitandas e frutarias? Para entender um pouco mais sobre o desenvolvimento de novas variedades de frutas e hortaliças, conversamos com Alecio Schiavon, Gerente de Negócios e Gerente de Produtos de Cucurbitáceas, Folhosas e Brássicas da Syngenta.


1. Por que é necessário o desenvolvimento de novas frutas, legumes e verduras?

Alecio Schiavon – A pesquisa não para porque existem demandas, tanto da “porteira para fora”, ou seja, de um comprador da fruta, do supermercado ou do consumidor final, quanto a demanda do produtor, que chamamos de demanda de “dentro da porteira”. Ela pode se dar, por exemplo, por causa de uma enfermidade, como um novo fungo que infesta toda uma região. Neste caso, se o controle fitossanitário não for eficiente, o agricultor precisará mudar de região ou abandonar o cultivo. Então, a pesquisa procura novos produtos para trazer cultivares que sejam resistentes a esse fungo. Outro exemplo seria um produtor que quer que essa fruta dure um pouco mais, para que ele possa atender um mercado mais distante, como no caso da exportação. É um trabalho contínuo porque o mercado – dentro e fora da porteira – demandam, e a pesquisa precisa correr atrás.

2. O gosto do consumidor brasileiro mudou nos últimos anos?

Alecio Schiavon – Eu não diria que o gosto mudou, mas é nítida uma conscientização maior por parte do consumidor. O brócoli, por exemplo, está sendo muito valorizado porque o consumidor está se conscientizando de que ele é um produto que faz muito bem para a saúde. É uma cultura que aumenta ano a ano no Brasil. Ele é saudável, de fácil preparo, e que hoje está acessível. A conscientização e a diversidade de produtos servidos que temos disponíveis, não existiam há dez, quinze anos. Hoje, você entra em um supermercado e encontra um melão pele de sapo, um do tipo gália, um harper, um do tipo amarelo, um cantaloupe… São diferentes formatos e diferentes cores de polpa, que há dez, quinze anos, não havia.

3. Os anseios do consumidor são levados em consideração quando se desenvolvem novos híbridos ou variedades de frutas, legumes e verduras?

Alecio Schiavon – Isso é muito forte em mercados mais maduros, como o europeu e o americano. Esses mercados fazem muita pesquisa com consumidores para entender quais são as suas demandas. No Brasil, se ouve muito o comprador, aquele que compra a fruta do agricultor e coloca uma fruta no Ceasa ou no supermercado, e se ouve também o supermercado. No caso do consumidor brasileiro, descobriu-se, por exemplo, que ele quer um pimentão de para que não tenha de voltar tanto ao supermercado para comprar.

4. Quanto tempo se leva para desenvolver uma nova hortaliça?

Alecio Schiavon – Desde a parte da pesquisa até lançá-la como um material comercial, leva-se, em média, de oito a dez anos.

5. Qual o caminho percorrido desde a ideia de uma nova variedade de hortaliça/fruta até que ela chegue às nossas mesas?

Alecio Schiavon – Hoje, para se conceber uma nova fruta ou hortaliça, é importante estar em permanente contato com o mercado, para saber quais são as tendências: o que um consumidor vai precisar (uma melancia vai ter de ser de tamanho menor ou não ter sementes, por exemplo); o que um comprador vai precisar e o que um agricultor precisa, como um tomate resistente a uma doença ou um que seja adequado para o cultivo em estufa porque detectou-se a tendência de que, daqui a cinco, oito anos, haverá mais cultivo protegido. Depois que foi identificada a necessidade do mercado, começa-se a fazer a pesquisa e a seleção de materiais para atender àquela demanda. A empresa coloca todo o seu conhecimento técnico, toda a sua tecnologia, todo o seu germoplasma, para atender à tal demanda de mercado. E aí há várias fases de experimentos, até uma cultivar se tornar comercial para atender as demandas do mercado. Testamos os diferentes cultivares e selecionamos aqueles que atenderam as condições de mercado, de produtividade, de sanidade de planta, de qualidade de fruto, de pós-colheita. Deu certo? Partimos para os testes em áreas maiores, em diferentes locais, sob diferentes condições de tecnologia. E, por fim, quando aprovado, o material se torna comercial.

6. Quais são algumas das frutas, verduras e legumes desenvolvidos pela Syngenta e que os consumidores já encontram nos supermercados e feiras livres?

Alecio Schiavon – No Brasil, a Syngenta tem disponível: abobrinha, alface, brócolos, couve-flor, melancia, melão, milho doce, pepino, pimentão, repolho e tomate.

7. O que os consumidores brasileiros podem esperar de novidades para 2021/próxima safra?

Alecio Schiavon – Já está disponível, e estamos intensificando o trabalho, do milho doce para o consumo in natura, em espiga. O milho doce é muito mais tenro e muito mais saboroso do que o milho verde tradicional, contendo um sabor sensorial bem superior ao milho que comemos hoje. Essa é uma realidade no mercado americano, e por que não ser aqui no Brasil também?

Pensando no produtor, nós lançamos este ano o primeiro híbrido de melancia comercial no mercado brasileiro com resistência a oídio. Até então não existiam cultivares com resistência a essa enfermidade. Então, os produtores, principalmente da Região Centro-Oeste, estão podendo experimentar essa variedade. Lançamos também este ano, no Nordeste, uma melancia de duplo propósito: ela pode ser usada para processamento, em fresh cut, que são os cubinhos para saladas de frutas prontas, e que também pode ser consumida in natura.

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