Requeima da batata

Requeima da batata

Hoje, querido leitor, falaremos sobre uma das doenças mais devastadoras da história da agricultura. Talvez o nome do seu causador, o oomiceto Phytophthora infestans não signifique muito para você, mas a doença causada por ele certamente pode sugerir algo. Estamos falando da requeima da batata, conhecida em outros tempos como a “praga da batata”.

Para garantir que todos saibam de sua importância, voltaremos a 1840, quando a doença começou a se espalhar pela Europa. Nesse período, a batata era um dos itens fundamentais da alimentação diária da população do velho continente.

Como mostraremos adiante, a requeima é uma doença difícil de controlar e os agricultores daquela época certamente não estavam preparados para sua chegada. Devido à sua rápida capacidade de infestação e das altas perdas de produtividade causadas, milhões de pessoas acabaram em situação de fome, enquanto muitas outras emigraram, e outras tantas morreram. Na Irlanda, país que mais sofreu com a praga, é comum utilizar esse período como ponto de referência histórica, adotando termos como: pré-fome e pós-fome.

Mas, enfim, deixando a história um pouco de lado, vamos falar sobre a doença em si.

A requeima costuma ocorrer em períodos de alta umidade relativa e temperaturas amenas (entre 15 e 25C°), atacando folhas, hastes e tubérculos de maneira devastadora. Sua disseminação, além de rápida, acontece de diversas formas, seja por meio de uma batata-semente infectada, pela ação dos ventos, de água (da chuva ou da irrigação), da circulação de pessoas, ou até mesmo do maquinário utilizado no plantio. Características como estas fazem com que a requeima seja uma grande preocupação, mesmo nos dias atuais.

Quanto à sua identificação, não vamos alongar muito, porque a doença apresenta diversos sintomas, e é sempre bom contar com o auxílio de um agrônomo para garantir o diagnóstico. De qualquer forma, os primeiros indícios da doença são caracterizados por manchas nas folhas, que apresentam tamanho variável, coloração verde-clara ou escura e aspecto úmido. Em seguida, essas manchas tornam-se pardo-escuras ou negras, e irregulares podendo (ou não) apresentar contorno amarelado-esverdeado.

Como dissemos anteriormente, o controle da requeima é um tanto complicado e exige investimento em tecnologia. Por isso, o ideal é trabalhar com a prevenção. Para tanto, a escolha do fungicida, a dose e o intervalo entre as aplicações devem ser seguidos à risca pelo produtor que quiser evitar problemas em sua lavoura. Qualquer deslize pode resultar no aumento da severidade da doença que, consequentemente, aumentará os custos e a dificuldade em controlá-lo, além das perdas de produtividade.

Além da batata, o causador da requeima também ataca as culturas do tomate, pimentão e da berinjela. Atualmente, estima-se que a doença cause prejuízos anuais superiores a US$8 bilhões.

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